Perfil do Apostador Desportivo Português em 2026: Quem Aposta

Quando os dados do SRIJ sobre o perfil dos apostadores portugueses foram publicados, encontrei neles um retrato que confirmava algumas intuições e contrariava outras. A imagem do apostador desportivo típico em Portugal é mais jovem do que muita gente imagina, mais concentrada geograficamente do que parece à superfície, e está a mudar mais depressa do que o debate público sobre apostas costuma reconhecer. Compreender este perfil não é apenas curiosidade académica — tem implicações directas para perceber como o mercado regulado português se vai desenvolver nos próximos anos.
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Idade e género: quem aposta em Portugal
Os dados do SRIJ para 2025 são inequívocos quanto à estrutura etária dos apostadores portugueses: mais de 60% da actividade digital é dominada por públicos jovens, com 32,5% dos apostadores activos entre os 18 e os 24 anos e 29,8% entre os 25 e os 34 anos. Ou seja, quase dois terços dos apostadores têm menos de 35 anos.
Este dado tem implicações que vão além da simples demografia. O apostador jovem é um apostador mobile-first por definição — cresceu com o smartphone como interface principal para praticamente tudo, e as apostas não são excepção. É também um apostador com maior familiaridade com plataformas digitais, mais confortável com funcionalidades complexas como live betting, Bet Builder, ou cash out automático, e mais influenciável por canais de comunicação digitais — redes sociais, streamers, criadores de conteúdo.
No segundo trimestre de 2025, os novos registos reflectiam ainda mais essa juventude: 36% eram de apostadores entre os 18 e os 24 anos. O mercado está a recrutar activamente nas faixas etárias mais jovens — o que também justifica a preocupação crescente do SRIJ e do ICAD com o perfil de risco associado ao jogo problemático neste grupo demográfico.
Quanto ao género, a tendência mais relevante dos últimos anos é a feminização progressiva do mercado. A percentagem de apostadores do sexo masculino desceu de 92% em 2022 para 85% em 2025 — uma mudança de sete pontos percentuais em três anos que, embora ainda deixe o mercado muito dominado pelo sexo masculino, indica uma diversificação real do perfil de utilizador. A presença feminina nas apostas desportivas online cresce de forma consistente, ainda que a partir de uma base pequena.
Esta mudança de género tem reflexos nas preferências de mercado e nas formas de acesso: as apostadoras tendem a ter padrões de comportamento ligeiramente diferentes — com menor propensão para apostas múltiplas agressivas e maior atenção aos mecanismos de controlo disponíveis, segundo os dados de comportamento dos operadores. São tendências gerais, não regras universais.
Distribuição geográfica: Porto lidera
Há um dado que surpreende muita gente fora do Norte do país: o distrito do Porto lidera o número de apostadores activos em Portugal, com 21,2% do total nacional, ligeiramente à frente de Lisboa, com 20,7%. Braga segue com 8,8%, Setúbal com 8,7% e Aveiro com 7,5%.
A liderança do Porto não é acidental. Reflecte uma combinação de factores: densidade populacional, perfil socioeconómico, e uma cultura desportiva particularmente intensa no Norte do país, onde o futebol — o desporto mais apostado — tem uma presença que vai além do calendário da Liga Portugal. A rivalidade entre o FC Porto e os clubes de Lisboa tem uma dimensão emocional que se traduz, de forma concreta, em mais apostas nos jogos que envolvem estes clubes.
A concentração geográfica nas áreas metropolitanas de Porto e Lisboa — que juntas representam mais de 40% dos apostadores nacionais — é consistente com o padrão geral de concentração da população e do poder de compra em Portugal. As regiões interiores têm quotas muito menores, não porque os apostadores sejam diferentes, mas porque a população é menor e o acesso à internet de qualidade — essencial para live betting de qualidade — foi historicamente mais limitado.
O crescimento do mercado nas regiões do Algarve e do centro do país — Coimbra, Leiria — indica uma expansão geográfica do mercado de apostas que acompanha a melhoria da cobertura de internet e a penetração do smartphone em áreas anteriormente menos conectadas.
Apostadores mobile-first: o comportamento digital
Mais de 75% de todas as apostas online em Portugal são feitas via smartphone ou tablet. Este número é provavelmente ainda mais alto para o live betting — onde a mobilidade é parte da experiência — e para os apostadores mais jovens, que raramente usam um computador para qualquer coisa que o telemóvel consiga fazer.
As implicações do comportamento mobile-first vão além do dispositivo usado. Moldam a forma como as apostas são feitas: mais apostas de menor valor, mais apostas impulsivas baseadas no que está a acontecer em tempo real, mais uso de funcionalidades de cash out — porque o acesso ao boletim de apostas é permanente. O apostador mobile está literalmente sempre conectado à sua conta de apostas, o que aumenta a frequência de interacção mas também o risco de tomada de decisões menos ponderadas.
Os operadores que perceberam este comportamento investiram em notificações push — alertas sobre resultados de apostas, mudanças de odds, ofertas especiais — como canal de activação e retenção. Esta comunicação permanente tem valor para o apostador activo mas é também um factor de risco para apostadores com menor autocontrolo. As ferramentas de configuração de notificações nos operadores com licença SRIJ permitem gerir este fluxo de comunicação, o que é uma opção que muitos apostadores não exploram mas que tem impacto real no comportamento de aposta.
Novos registos e tendências 2025
No final de 2025, o total de contas de jogadores registadas em Portugal atingiu 4,9 milhões — um crescimento de 4,5% face ao período homólogo de 2024. Este crescimento é mais moderado do que nos anos anteriores, confirmando a tendência de normalização do mercado após os picos de crescimento acelerado.
O número de apostadores activos — que fizeram pelo menos uma aposta no período — é significativamente menor do que o número de contas registadas: cerca de 1,1 a 1,2 milhões no segundo e terceiro trimestres de 2025. A diferença entre contas registadas e contas activas é um indicador de saúde do mercado — um rácio de actividade mais alto indica um mercado mais comprometido; um rácio mais baixo indica muitas contas dormentes.
A tendência de aumento dos apostadores activos é positiva, mas a diminuição registada em alguns trimestres — o segundo trimestre de 2025 mostrou uma queda de 6,5% face ao trimestre anterior no número de apostadores activos — reflecte a sazonalidade do mercado: menos eventos de futebol de alto perfil no verão traduzem-se em menos apostadores activos, independentemente do total de contas registadas.
Para um contexto mais amplo sobre o mercado de apostas em Portugal, incluindo as receitas do setor e as perspetivas de crescimento, consulte o artigo sobre o mercado de apostas desportivas em Portugal.
Qual é a distribuição por faixa etária dos apostadores em Portugal?
Segundo os dados do SRIJ para 2025, mais de 60% dos apostadores activos têm menos de 35 anos: 32,5% têm entre 18 e 24 anos e 29,8% entre 25 e 34 anos. Apenas cerca de 23% dos apostadores têm mais de 45 anos.
As mulheres estão a apostar mais em Portugal nos últimos anos?
Sim. A percentagem de apostadores do sexo feminino cresceu de 8% em 2022 para 15% em 2025 – uma evolução significativa, ainda que o mercado continue predominantemente masculino. A tendência de crescimento da participação feminina é consistente e acompanha padrões observados em outros mercados europeus regulados.
Qual o distrito com mais apostadores ativos em Portugal?
O distrito do Porto lidera com 21,2% do total de apostadores nacionais, seguido de perto por Lisboa com 20,7%. Braga ocupa o terceiro lugar com 8,8%. Em conjunto, as duas áreas metropolitanas de Porto e Lisboa representam mais de 40% de todos os apostadores activos em Portugal.
Criado pela redação de «Apostas Desportivas Online em Portugal».